Lembra-se de… Jean Ragnotti: Artista de circo
Se perguntar a um adepto de futebol quantos campeonatos ganhou Diego Armando Maradona, a maioria não saberá responder. O mesmo acontecerá se pedir a um fã do motociclismo que lhe diga quantas corridas ganhou, por exemplo, Garry McCoy. E porquê?
Porque há homens que transcendem a dimensão racional do desporto. Aquilo que representam para os adeptos é muito mais que um número numa folha de papel.
Jean Ragnotti é um desses casos. Quem assistiu a ralis nas décadas de 80 e 90 poderá achar irrelevante ser lembrado dos anos de formação deste genial francês no Ralicross. Ou das suas três (somente, três) vitórias em provas do Mundial de Ralis. E isso acontece porque o virtuosismo de Ragnotti colocou-o num patamar acima de qualquer avaliação racional. A forma como guiava aquele pequeno Renault Clio Williams fazia-nos até duvidar se estávamos mesmo perante um tracção dianteira. Aliás, foi sobretudo com maquinaria Renault que Ragnotti espalhou o talento sobrenatural: Renault 8 Gordini, Renault 5 Alpine Turbo, Renault 5 Turbo, 5 Maxi e 5 GT Turbo, Renault 11 Turbo, Renault Alpine A110 e A310 V6, Renault 21 Turbo, Renault Megane e Megane Maxi Kit Car, Renault Clio Williams Maxi. Hoje, como não podia deixar de ser, Ragnotti continua ligado à marca francesa como piloto de testes e de exibições. Ou seja, continua a ser aquilo que sempre foi: o centro das atenções.
O Jean Ragnotti era um piloto muito acima da média, só não foi campeão mundial porque a Renault nunca teve um programa e um carro que o permitisse. Tive o prazer de o ver várias vezes, e nunca esqueci o que ele fazia em Arganil no Renault 11 Turbo nas ribanceiras a andar como ele sempre fazia, a fundo. Fantástico.