Quando tirei a carta de condução!
Lembram-se da altura em que tiraram a vossa carta. Que idade tinham, carro(s) guiaram, os instrutores, como se sairam nos exames teórico e prático e que carro conduziram de seguida por conta própria. Deixo este post para contarem as vossas experiências.
Idade e instrutores
Quando eu tirei a minha carta de condução, faltavam-me 6 dias para ter 18 Anos. Foi em 1999! Passei por cinco instrutores diferentes e só de um não gostei pois era novo na profissão e atacava-me o volante de uma forma que desencentivava e até assustava. Outro já era velhote e com ele era a liberdade total. Até deixava carregar um pedacinho na velocidade com concordância. Os outros dois eram muito liberais mas um deles ensinava com uma calma, pacatez e sensibilidade que até impressionava. Cada um tinha o seu carro destinado e este ultimo era cá um instrutor e pêras. O homem conseguia levar o maior dos inexperientes no seu Corolla (era "dele" o corolla) com uma naturalidade como se fosse ao lado de um colega de profissão.
Carros, azelhices e banda sonóra
Os carros que guiei foi sempre um Opel Corsa B 1.5D, com excepção de duas aulas onde conduzi um Yaris D4D novinho e um Corolla. O que mais me agradou foi o Yaris embora o Corolla tivesse outro conforto e outra postura. Passei ainda por uma troca de embraiagem no Opel, que desde que comecei a conduzi-lo já estava muito queimada. Para um aprendiz essa foi mudança abismal e levou-me mesmo a arranhar uma mudança devido à diferença de sensibilidade. Numa das primeiras aulas tambem furei um vermelho que ficava numa ligeira curva e que sinalizava apenas uma passedeira. Era daqueles semáforos que de tão raramente que se apanhavam vermelho, até caía no esquecimento e na inexistência. Houve tambem duas musicas que me ficaram na cabeça e que associo muito a esse tempo de carta pois estavam em voga e em todas as aulas lá tocavam elas no rádio por entre o esticar de uma segunda. Eram o Believe da Cher e o Bittersweet Simphony dos The Verve.
Parentisis
Voltando à questão dos carros, questiono se hoje em dia é sensato pôr os alunos a aprender em BMWs, Audis, Toyotas Auris etc. É verdade que como serviço e tendo em conta o valor que custa tirar a carta é sem duvida boa oferta, atrativa. Tambem é verdade que são carros maiores o que ajuda pois se o aluno os domar, tambem dará conta de um carro mais pequeno. Mas por outro lado pergunto-me como é se depois (e fruto da crise) o aluno comprar ou tiver um carro à volta de 1992 sem direcção assistida e sem metade da suavidade e automatismos dos carros onde aprendeu (Swift, Auris ou BMW de ultima geração). Como ira domar sistemas mais rudimentares e manuais que pedem atitude e manuseamento decidido. Não deixa de ser curioso que nos meus dias de carta e em traços gerais, a grande maioria conduzia carros melhores ou do mesmo nivel daqueles onde aprendia. Hoje é ao contrário e a maioria conduz carros claramente inferiores aqueles onde aprendeu.
Exame teórico
No exame de codigo (que ainda foi feito a papel obrigando a esperar pela afixação de resultados), passei à primeira com as ultimas duas questões erradas. Ou seja, quando cheguei à primeira questão errada, já sabia que tinha passado mas conferi segunda vez para acreditar verdadeiramente. Na verdade considero o novo formato digitalizado de exame mais fácil que o antigo a papel pois o meu exame de mecanica para carta de categoria D já foi neste formato. As questões são mais fixas e iguais às que encontramos nos softwares de aprendizagem. Antigamente e quando ainda eram redigidas e imprimidas em papel era tudo mais aleatório e muitas vezes a mesma questão aparecia com palavras diversas, o que baralhava.
Exame pratico.
O exame pratico foi talvez a melhor parte para mim. Preparei-me muito bem, quase decorando todos os sinais que iria encontrar nos percursos habituais e adotando postura muito correcta e cumpridora. Devo dizer que os meus instrutores tambem me prepararam muito bem e então quando cheguei ao exame conhecia quase de palmatória os sitios onde o examinador me levou. Fiz estacionamento, subida, ponto de embraiagem, marcha atrás a subir, tudo aquilo que exige mais dote mas sobretudo não falhei stops, piscas e esses pormenores que ainda assim são muito importantes. O exame não durou mais de 20 minutos contando com arranque e chegada e fui aprovado. O primeiro carro que conduzi foi um Renault Clio 1.2 Expression cor Prata de 2001 que comprei pouco mais de um Ano depois à custa de um part-time num bar, que acumulei com o 12º Ano e que durou ainda mais dois Anos mas tambem do chequezinho dos 18 que os meus pais me ofereceram por altura da formatura de 12º. Ainda foi em contos e eram precisamente 520 deles. Dei uma festa, comprei umas roupas e o resto foi para o carro. Obrigado Pais!






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