O 155º pódio da carreira de Michael Schumacher
Na última vez que Juan Manuel Fangio conseguiu um pódio na Fórmula 1, tinha 46 anos. No passado fim de semana, com 43 anos, na era da super competitiva F1 onde militam pilotos desde os tenros 18 anos de idade, Michael Schumacher foi ao pódio. Desde 1970 que um piloto com 43 anos não ia ao pódio na F1.
Foram precisas 48 corridas para o piloto alemão regressar aos pódios na F1, desde o seu corajoso regresso em 2010. Muito criticado após o seu regresso, em Valência de uma boa mostra do que é ainda capaz de fazer, quando tudo lhe corre normalmente. Nem mesmo partir do 11º lugar da grelha o impediu de chegar ao pódio. Com sorte, é certo, depois dos abandonos de Sebastian Vettel, Romain Grosjean e o atraso de Lewis Hamilton e Pastor Maldonado, mas não deixa de ser um feito notável. Foi mesmo preciso avisá-lo pelo rádio, pois Schumacher viu a bandeira de xadrez e não sabia que era terceiro. Foi a 155ª vez que o conseguiu na sua carreira na F1.
“Quando cruzei a linha de chegada perguntei a minha posição e não imaginava que me iam responder, terceiro. Umas voltas antes tinha visto a posição do Webber, oitavo e sabia que esta um lugar à frente. Não esperava mesmo o pódio.”, referiu Schumacher que no fim da corrida se 'safou' duma penalização, já que apesar de ter acionado o DRS em zona de bandeiras amarelas, reduziu o andamento o suficiente para os Comissários Desportivos não o penalizarem. Fez-se novamente história na F1.
A carreira de Michael Schumacher
Já lá vão quase 21 anos que um insólito episódio relativo à prisão do belga Bertrand Gachot, abriu caminho à entrada na Fórmula 1 dum piloto que se viria a tornar um dos mais importantes de sempre na Fórmula 1, Michael Schumacher.
Já muito se escreveu sobre as razões do espantoso sucesso de Michael Schumacher. O alemão tornou-se a maior figura do desporto motorizado mundial pós-Ayrton Senna, muito por culpa da combinação de três fatores: um inegável (e enorme) talento natural, um caráter tremendamente competitivo e determinado, e uma equipa de técnicos brilhantes que o acompanharam nos anos dourados da sua carreira e só mesmo estes dois últimos anos com a Mercedes têm feito com que alguns pessoas digam: "Não havia necessidade...". O seu regresso à F1, não sendo péssimo, tem deixado muita gente desiludida, e a cada Grande Prémio que passa, fica sem se perceber se o alemão está de dentes cerrados, a tentar dar mais algum brilho à sua longa e vitoriosa carreira, ou simplesmente insiste em levar a sua teimosia até ao fim.
Schumacher distingue-se do outro grande dominador desta década - Sébastien Loeb - pelo tamanho e qualidade da oposição que enfrentou ao longo da sua carreira, quer em termos de pilotos, quer de outras equipas e construtores. Depois de ter chegado à Fórmula 1 em 1991 - com títulos de campeão europeu de karting (1987), campeão da F. König (1988) e campeão da F3 alemã (1990) -, Schumacher correu contra nada menos de 12 campeões do Mundo: Piquet, Senna, Prost, Mansell, Damon Hill, Jacques Villeneuve, Hakkinen, Alonso, Raikkonen, Button, Hamilton e Vettel.
Mas, foi também por entre manobras polémicas - as mais mediáticas sobre Hill e Villeneuve - e acusações de ilegalidades técnicas - principalmente nos tempos da Benetton - que 'Schumi' foi conquistando o estatuto de macho alfa da disciplina máxima do automobilismo, convertendo-se igualmente numa figura de marketing global com rendimentos anuais de várias dezenas de milhões de euros.
Idílio com a Ferrari
Mas nenhum outro período terá sido tão marcante como os cinco títulos consecutivos de Schumacher com a Ferrari entre 2000 e 2004. Nesse espaço de tempo, a Fórmula 1 tornou-se um palco quase exclusivo da extraordinária capacidade e fome de vitórias de Schumacher, ao ponto de Ecclestone ter ponderado se o seu negóc... perdão desporto, não estaria a sofrer uma crise de interesse devido ao domínio exercido pelo binómio Schumacher-Ferrari. Entre os factos mais impressionantes estão a época de 2002, quando o alemão se sagrou campeão a seis (!) provas do fim, ou o ano de 2004 quando estabeleceu um recorde de 13 vitórias numa só época.
É certo que o 'Barão Vermelho' foi batido de forma limpa por um jovem Fernando Alonso em 2005 e 2006, mas o fabuloso legado de Schumacher na F1 já estava construído. Nem a discutível decisão de regressar após três anos de afastamento - que só comprova o animal competitivo que Schumacher é - conseguirão pôr em causa a histórica posição que o germânico ocupa no mundo motorizado.
Momentos
Estreia na F1: 1991, GP da Bélgica (Jordan-Ford)
Primeira vitória: 1992, GP da Bélgica (Benetton-Ford)
Títulos mundiais: 7 (1994 e 1995, com a Benetton; 2000 a 2004, com a Ferrari)
Recordes na F1: Vitórias (91), Pole positions (68), Melhores voltas (76), Pódios (155), Campeonatos (7), Vitórias consecutivas (7), Vitórias numa época (13), GP's nos pontos (202), Maior margem de vitória num Mundial (67 pontos), Mundial ganho mais cedo (6 GP's do final), Vitórias no mesmo GP (8), Vitórias em GP's diferentes (22), Segundos lugares (43).



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