'Annus horribilis' no ralis
Há muito se fala do terrível mês de maio que roubou a vida a vários pilotos de automobilismo, e pelos vistos 2012 vai ser recordado como um ano terrível no que às mortes nos ralis diz respeito. Pilotos, navegadores e espectadores. Hoje foi a vez do infortunado Bohuslav Ceplecha, navegador de Martin Semerad se tornar o nono elemento a falecer na sequência dum acidente em ralis.
É verdade que os ralis são uma modalidade propícia a acidentes, mas o trabalho que a FIA vem fazendo em prol da segurança tem salvo muitas vidas. Sabe-se também que nunca poderá salvar todas, pois o risco estará sempre presente e as armadilhas “espreitam” a cada esquina. Veja-se o exemplo do sucedido com Maria de Villota num teste de Fórmula 1, para se perceber que por vezes a diferença entre a vida e a morte está num pequeno detalhe, e se num ambiente fortemente controlado como é um teste de F1 o acidente acontece, imagine-se na estrada onde cada metro é diferente do seguinte.
Não vale a pena esperar que os riscos se reduzam a zero, pois isso não existe, o desporto automóvel é uma paixão perigosa. Os acidentes acontecem – nada há que os possa totalmente evitar.
Cinco pilotos e navegadores (mais quatro espectadores) só num ano é muito, e nem sequer vale a pena tentar encontrar grandes explicações pois o martirológio do automobilismo, que já é composto por largos milhares (cerca de quatro mil) de nomes, já sabemos que mais cedo ou mais tarde irá aumentar.
Há nomes sonantes dos ralis que perderam a vida em acidentes, como Henri Toivonen e Attilio Bettega. Ao mais alto nível, no WRC, o último foi Michael Park, navegador de Markko Martin, no Rali da Grã-Bretanha de 2005. Muito antes, o jovem sueco Lars-Erik Thorp, investido pelo Lancia Delta de Alex Fiorio quando assistia ao Rali de Monte Carlo de 1989. Exemplos, infelizmente, há muitos. Que todos eles, sem exceção, estejam a descansar em paz.




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